Por vezes não há dias nem noites
e tudo o que resta é um sorriso cravado dentro de nós
para nos acompanhar quando tudo se desmorona
Por vezes há horas maiores que a vida
horas fundas em que o bater do coração nos atordoa
como um prenúncio de morte
Por vezes os dias duram longas horas
sem que encontremos palavras ou gestos
e tudo o que possamos dar seja silêncio
Mas por vezes há palavras que chegam suavemente
sorrisos que nos levam para muito longe
e nos salvam de nós próprios
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17 abril 2009
14 agosto 2008
O coração falha um batimento
O coração falha um batimento
nesta casa de sombras esquecidas
repito os mesmos gestos
o mesmo tom de voz
repito a mesma melancolia resignada
somos silenciosos
esperamos horas sem fim pela palavra distraída
vemos o mundo acordar lá fora
mas não aqui
temos a sabedoria e o frio do mármore
o medoe o vento assobiando nas janelas
a memória
os passos que ecoam
o castigo de deus nas almas dos homens
nesta casa de sombras esquecidas
repito os mesmos gestos
o mesmo tom de voz
repito a mesma melancolia resignada
somos silenciosos
esperamos horas sem fim pela palavra distraída
vemos o mundo acordar lá fora
mas não aqui
temos a sabedoria e o frio do mármore
o medoe o vento assobiando nas janelas
a memória
os passos que ecoam
o castigo de deus nas almas dos homens
10 julho 2008
As palavras dos teus olhos
Trago-te no correr dos dias na curva dos ombros
nas palavras dos teus olhos quando me observas deitada sobre a cama
trago-te no silêncio espesso da noite
ou na voz que me embala junto ao teu peito
o dia morre para lá desta janela
e no reflexo do vidro vejo o rosto que dizes surgir das sombras
quando menos espero
tenho a juventude nas pontas dos dedos
reinos de lucidez e sabedoria
a respiração demorada dos sonhos por sonhar
e um murmúrio surdo dentro de mim que te pede que me guardes
ainda que tudo se desmorone
trago-te em mim
e nas horas inquietas deste amor
no fumo do cigarro que se espalha no ar
no tremor das minhas mãos quando te aproximas
tenho-te a ti
e a uma vida inteira para imaginar
nas palavras dos teus olhos quando me observas deitada sobre a cama
trago-te no silêncio espesso da noite
ou na voz que me embala junto ao teu peito
o dia morre para lá desta janela
e no reflexo do vidro vejo o rosto que dizes surgir das sombras
quando menos espero
tenho a juventude nas pontas dos dedos
reinos de lucidez e sabedoria
a respiração demorada dos sonhos por sonhar
e um murmúrio surdo dentro de mim que te pede que me guardes
ainda que tudo se desmorone
trago-te em mim
e nas horas inquietas deste amor
no fumo do cigarro que se espalha no ar
no tremor das minhas mãos quando te aproximas
tenho-te a ti
e a uma vida inteira para imaginar
18 junho 2008
O ardor das lágrimas
Sempre que esta distância se impõe
vejo dentro de mim um vazio tão negro
tão fundo
e julgo cair para dentro dele
para dentro de mim mesma
neste vagar de horas interrompidas
espero silenciosamente
uma solidão que me redima
poder sentir no peito a palavra que murmuras
para lá do ardor das lágrimas
vejo dentro de mim um vazio tão negro
tão fundo
e julgo cair para dentro dele
para dentro de mim mesma
neste vagar de horas interrompidas
espero silenciosamente
uma solidão que me redima
poder sentir no peito a palavra que murmuras
para lá do ardor das lágrimas
20 maio 2008
Sempre que regressavas
2
Agora estás longe
e nós nem sempre conseguimos sentir a tua falta
não ouço a tua voz colada às paredes da minha memória
não espero ver-te chegar ao cair da noite
já não temos tempo para recuar
inventar as conversas que não tivemos
pedir-te um abraço
quando eu tinha seis anos e medo de morrer a dormir
já não há a inocência de acreditar
que um dia vais mudar
afastar os silêncios e sorrir
ou simplesmente
perguntar-me como foi o dia
já não há lagrimas para chorar
no escuro do meu quarto
no escuro do meu corpo
não há mágoa para guardar no peito
agora estás longe
e eu não espero o teu regresso
Agora estás longe
e nós nem sempre conseguimos sentir a tua falta
não ouço a tua voz colada às paredes da minha memória
não espero ver-te chegar ao cair da noite
já não temos tempo para recuar
inventar as conversas que não tivemos
pedir-te um abraço
quando eu tinha seis anos e medo de morrer a dormir
já não há a inocência de acreditar
que um dia vais mudar
afastar os silêncios e sorrir
ou simplesmente
perguntar-me como foi o dia
já não há lagrimas para chorar
no escuro do meu quarto
no escuro do meu corpo
não há mágoa para guardar no peito
agora estás longe
e eu não espero o teu regresso
19 maio 2008
Sempre que regressavas
ao meu pai
1
Sempre que regressavas
a casa enchia-se de um silêncio espesso
e os nossos passos ecoavam nos corredores
como se procurassemos não tocar no chão
olhavamos a mesa posta para o jantar
a porta que ficava sempre aberta
as luzes deixadas acesas
a roupa espalhada no quarto
nunca tinhas um gesto ou uma palavra
nunca te lembravas como se sorri
ou como se constrói um mundo de sonhos na juventude
eu não sabia como medir a distância entre nós
nem como atravessar esse espaço negro
cheio de ausências e coisas por dizer
por isso sempre que regressavas
deixávamos o silêncio cair sobre a casa
e eu fechava-me no fundo de mim própria
para não ver
quanto de ti passava por trás dos meus olhos
Rios sempre iguais
Amanhece devagar
sobe-nos à boca o sabor do medo
da inquietude de perder detalhes
minerais brilhantes nos recantos da memória
sombras atravessam as paredes e os corpos
demoram-se sobre a pele
deixam gravada a sua presença
depois há a fuga para norte
(ou para a noite)
para dias mais frios gestos mais ternos que nos embalam na escuridão
abandonamos as cidades da nossa juventude
deixamos os segredos nos jardins
vestígios de loucura
e regressamos por rios sempre iguais
sobe-nos à boca o sabor do medo
da inquietude de perder detalhes
minerais brilhantes nos recantos da memória
sombras atravessam as paredes e os corpos
demoram-se sobre a pele
deixam gravada a sua presença
depois há a fuga para norte
(ou para a noite)
para dias mais frios gestos mais ternos que nos embalam na escuridão
abandonamos as cidades da nossa juventude
deixamos os segredos nos jardins
vestígios de loucura
e regressamos por rios sempre iguais
14 maio 2008
Segredos
Voltas atrás
recordas minuciosamente cada gesto
a lucidez e o relógio parado
o vento a estilhaçar vozes na rua
recordas o silêncio e o medo da morte
as mãos trémulas e o sangue
o tempo que não tiveste para crescer
depois disso amaste
odiaste o mundo fumaste sofregamente
não houve lágrimas que te redimissem
e levassem os ruídos da noite
que sempre te assustaram
não houve presente que te tirasse
a dor de nem o teres conhecido
recordas minuciosamente cada gesto
a lucidez e o relógio parado
o vento a estilhaçar vozes na rua
recordas o silêncio e o medo da morte
as mãos trémulas e o sangue
o tempo que não tiveste para crescer
depois disso amaste
odiaste o mundo fumaste sofregamente
não houve lágrimas que te redimissem
e levassem os ruídos da noite
que sempre te assustaram
não houve presente que te tirasse
a dor de nem o teres conhecido
12 maio 2008
Em certos dias a loucura...
Escrevo-te porque não tenho palavras
Escrevo-te porque te perco na distância deste silêncio
no cansaço do sonho que nos atraiçoa
escrevo-te a lápis para te ter mais perto
para te tocar na suavidade da página
sentir a tua pele estremecer sob os meus dedos
quando nada mais me pode salvar
escrevo-te sem esperanças nem impérios
sem areais ao anoitecer
sem cidades escuras onde fomos felizes
escrevo-te na vastidão desta insónia
murmúrios no lento passar das horas
dias em que julgo que a loucura se aproxima
Escrevo-te porque te perco na distância deste silêncio
no cansaço do sonho que nos atraiçoa
escrevo-te a lápis para te ter mais perto
para te tocar na suavidade da página
sentir a tua pele estremecer sob os meus dedos
quando nada mais me pode salvar
escrevo-te sem esperanças nem impérios
sem areais ao anoitecer
sem cidades escuras onde fomos felizes
escrevo-te na vastidão desta insónia
murmúrios no lento passar das horas
dias em que julgo que a loucura se aproxima
08 maio 2008
Silêncios
Oiço a tua voz nas entrelinhas do poema
mesmo quando a ausência nos consome
as imagens repetem-se sempre iguais
esperar por um autocarro fumar um cigarro
patir para o destino que já não reconheço
quando aqui cheguei não tinha palavras
nem madrugadas
só o silêncio vago da solidão
tu deste-me todas as tuas palavras
permitiste-me usá-las
e construir com elas o nosso futuro
hoje sei que vive entre nós a distância deste abandono
a arte de apaziguar as sombras que nos acompanham
e atravessar cada dia com uma serena esperança no amanhã
mesmo quando a ausência nos consome
as imagens repetem-se sempre iguais
esperar por um autocarro fumar um cigarro
patir para o destino que já não reconheço
quando aqui cheguei não tinha palavras
nem madrugadas
só o silêncio vago da solidão
tu deste-me todas as tuas palavras
permitiste-me usá-las
e construir com elas o nosso futuro
hoje sei que vive entre nós a distância deste abandono
a arte de apaziguar as sombras que nos acompanham
e atravessar cada dia com uma serena esperança no amanhã
28 abril 2008
Travessias

Registo em silêncios o itinerário da longa viagem
que inevitavelmente terei de fazer
por entre equívocos e ruas cinzentas
pressinto que se aproxima uma despedida
uma porta entreaberta na penumbra da casa
uma respiração lenta que anuncia a manhã
todos os abismos me chegam como vozes dispersas
desejos de eternidade na ponta dos dedos
a vibração do mar que nos leva para longe
nem sempre chegamos a tempo de salvar alguém
que nos habita o peito
e nem sempre as lágrimas preenchem o vazio dentro de nós
ou o amor nos leva as sombras
Fotografia de Todd McDonald
16 abril 2008
Diálogos mudos

3.
Os nossos corpos respiram intensamentecoroando de luz todos os gestos
todas as marcas que deixas gravadas na minha pele
dia após dia
anoitecemos lentamente
com um cansaço sereno nas pontas dos dedos
renunciamos ao mundo que nos engole
e só encontramos refúgio na subtil desilusão do crepúsculo
temos silêncios nas mãos e o estremecer do coração
a terna escuridão das nossas próprias palavras
temos a ingenuidade deste amor
um sorriso fechado em dias nublados
a tranquilidade lenta com que te aproximas do abismo
aproximamos
diálogos mudos ou jardins distantes
Fotografia de Hugo Gomes
14 abril 2008
A cadência do coração

1.
De todas as promessas feitas
fica-nos na boca o sabor leve
de um dia as cumprirmos
como o beijo pelo qual esperámos em noites de insónia
e que guardámos docemente no peito
sonhamos com cidades sombrias
no silêncio distante do futuro
para onde possamos fugir quando tudo se desmorona
acordamos e adormecemos na neblina espessa destes dias
mãos geladas o teu corpo na penumbra
construimos listas e mapas
vastas cartografias do tempo
por onde os nossos gestos não passam
esquecemos o que fez de nós murmúrios
paisagens abandonadas vestígios de paixão
acordamos uma e outra vez
no incêndio lento do amanhecer
sem saber ainda o que a luz fará de nós
2.
Não sabemos por vezes o que a luz fará de nós
quando o dia começa sem aviso
e nos acorda para o frágil passar das horas
temos (nesses momentos) a certeza
de nenhuma solidão nos poder devastar novamente
enquanto as minhas lágrimas se perdem na pele do teu ombro
esperamos pacientemente pelo anoitecer
com suas vozes surdas fumo dos cigarros
fragmentos de uma memória mutilada
o ruído da morte que não olhamos nos olhos
nesses momentos escutamos a cadência do coração
batendo do meu peito para o teu
no espaço restrito deste amor
onde se esconde a sombra da noite
e a intensa respiração dos nossos corpos
13 abril 2008
Fatalidades
Será assim tão terrível o passar das horas
esperar num vão de escada assombrado
pelo teu regresso
sem tabaco sem sonhos
consumida pela fatalidade de não ter palavras quando te aproximas
e de nem sempre os silêncios dizerem tudo o que se sente
esperar envolta em sombras medos
tantos anos de solidão à flor da pele
e por fim
abandonar-me à mudez da tua ausência
esperar num vão de escada assombrado
pelo teu regresso
sem tabaco sem sonhos
consumida pela fatalidade de não ter palavras quando te aproximas
e de nem sempre os silêncios dizerem tudo o que se sente
esperar envolta em sombras medos
tantos anos de solidão à flor da pele
e por fim
abandonar-me à mudez da tua ausência
09 abril 2008
Violência do silêncio
Como se de uma morte se tratasse
atravessamos dia a dia o vazio ruidoso da cidade
seguimos os relógios e as marés
melancolia que nos habita por dentro
nas manhãs mais negras
fechamos os olhos e adormecemos à beira do abismo
como se de uma morte se tratasse
com a voz da noite na memória
nem sempre chegamos a tempo
demasiado sós a enfrentar o vento
ou a nossa cegueira de todas as horas
nem sempre sabemos que o momento passou
tememos a escuridão e a loucura
o amor
e a súbita violência do silêncio
31 março 2008
Amanhã vai ser um dia ainda mais perfeito

Nas ruínas do amanhecer sinto subitamente a tua falta
como se por estares aqui agora tudo fosse diferente
como se um gesto teu desse sentido ao caos dentro de mim
procuro na tua ausência
uma forma de sobreviver a este silêncio desolado que me consome
um vestígio deste amor insone
a recordação do teu sorriso numa tarde de outono
em que julguei que morria de tanto te querer
o vento atravessa a rua vazia
acompanha-me neste desespero
que se desvanece com o passar das horas
saber que lentamente te aproximas
e que amanhã vai ser um dia ainda mais perfeito
como se por estares aqui agora tudo fosse diferente
como se um gesto teu desse sentido ao caos dentro de mim
procuro na tua ausência
uma forma de sobreviver a este silêncio desolado que me consome
um vestígio deste amor insone
a recordação do teu sorriso numa tarde de outono
em que julguei que morria de tanto te querer
o vento atravessa a rua vazia
acompanha-me neste desespero
que se desvanece com o passar das horas
saber que lentamente te aproximas
e que amanhã vai ser um dia ainda mais perfeito
26 março 2008
Dias como hoje

Há dias em que a realidade se torna uma dor
tudo parece demasiado terrível
tudo se desmorona dentro de mim
o único refúgio possível parece ser a solidão
não há sorriso possível
não há voz que me traga à superfície
cada vez mais só dentro de mim
e depois surges tu
como se as sombras tivessem fraquezas
e pudesse acreditar que me afastas delas
surges tu mais forte que este medo
e com um gesto trazes-me do fundo desta angústia que não escolhi
há dias em que tudo se consome
como um vento demasiado gelado que nos toca no rosto
mas já nem sequer magoa
e há dias em que sorris e tenho-te em mim
cada vez mais forte dentro de mim
e apetece ficar aqui mais um bocadinho
adormecer devagar
acordar ao teu lado
tudo parece demasiado terrível
tudo se desmorona dentro de mim
o único refúgio possível parece ser a solidão
não há sorriso possível
não há voz que me traga à superfície
cada vez mais só dentro de mim
e depois surges tu
como se as sombras tivessem fraquezas
e pudesse acreditar que me afastas delas
surges tu mais forte que este medo
e com um gesto trazes-me do fundo desta angústia que não escolhi
há dias em que tudo se consome
como um vento demasiado gelado que nos toca no rosto
mas já nem sequer magoa
e há dias em que sorris e tenho-te em mim
cada vez mais forte dentro de mim
e apetece ficar aqui mais um bocadinho
adormecer devagar
acordar ao teu lado
Fotografia de Rafael Vieira
24 março 2008
Ardor e sombras
Tudo o que de negro há em nós nos consome
nos destrói pouco a pouco
a mágoa que lentamente corrói memórias de risos e ternura
que traz à flor da pele ardor e sombras
procuramos no tempo uma cura que nunca chega
uma redenção de todos os erros
uma promessa sussurrada ao anoitecer
já não temos a inocência de acreditar em melhores dias
vives neste país de desencanto e brumas
não sabes se o amanhã chegará a tempo
se haverá palavras que te tirem o medo da morte
palavras que te tragam de volta o sorriso que tanto amaste
nos destrói pouco a pouco
a mágoa que lentamente corrói memórias de risos e ternura
que traz à flor da pele ardor e sombras
procuramos no tempo uma cura que nunca chega
uma redenção de todos os erros
uma promessa sussurrada ao anoitecer
já não temos a inocência de acreditar em melhores dias
vives neste país de desencanto e brumas
não sabes se o amanhã chegará a tempo
se haverá palavras que te tirem o medo da morte
palavras que te tragam de volta o sorriso que tanto amaste
23 março 2008
Só abandono

Dói-me o que nos resta no fim de uma noite
corpos gelados como se estivessemos ausentes
dói-me esta distância que entre nós se construiu
recordar o passado que guardas em ti
e te consome
perder gestos e palavras a cada momento
ficamos depois assim só abandono
ver as horas passar nos teus olhos
silenciar este rumor que me povoa o peito
encontrar uma voz frágil um esquecimento
que nos possa salvar
corpos gelados como se estivessemos ausentes
dói-me esta distância que entre nós se construiu
recordar o passado que guardas em ti
e te consome
perder gestos e palavras a cada momento
ficamos depois assim só abandono
ver as horas passar nos teus olhos
silenciar este rumor que me povoa o peito
encontrar uma voz frágil um esquecimento
que nos possa salvar
20 março 2008
Solidão silenciosa
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